segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A FORÇA DAS MARÉS


   No Verão estava assim, e agora está ao contrário.




   Quem será responsável pela colossal deslocação de areia na costa? O mar ou o vento? Ambos, em unissom, sincronizados por algum secreto mecanismo marinho, que de secreto não tem nada?        São as ondas que criam o vento e as tempestades, e é óbvio que é mais do que tempo da raça humana se instalar no fundo do mar (como escreveu Jules Verne). Ai estará a salvo de muitas calamidades naturais e mais protegido das radiações da atmosfera deteriorada.

 
    Para uma substância tão fluída, a água é muito forte (e pesada).
E mete medo.


   As marés, a corrente oceânica, o grande motor regulador do clima no nosso planeta, pêrra? Dizem que sim, e é verdade. Mais água nos oceanos da Terra não é saudável. 
   Está tudo a mudar. E não é só na natureza humana. É em tudo; animal, vegetal, mineral e divino. 
   Os Deuses estão a morrer, sufocados pelo desenvolvimento social: pelos telemóveis, computadores e outros acessórios, dos quais já não há fuga possível: tudo flui para o mesmo lado, e a raça humana está a converter-se numa espécie de macaco re-transformado, que em vez de pegar na banana o dia inteiro, não pára de mexer no telemóvel.
   Toda a gente sabe que paleio a mais acaba mal. 


   A maré alta invade o rio e domina o mar. 
   O mar domina sempre. Não há pedra que chegue para o parar, nem muro suficientemente alto que ele não posso ultrapassar.
   O melhor é construir uma arca (como Noé) e navegar.  



   O céu Invernal queima, com ultravioletas violentos, mas ninguém parece ligar a isso. Nem um chapéu na cabeça, óculos, para a luz baixa do Sol, e roupa adequada para o vento gelado que aparece, e desaparece de repente, sorrateiramente. Perigoso. Há que ter em conta as alterações biológicas comprovadas em 2014: multi-resistência bacteriológica progressiva - para os padrões tradicionais, com a subsequente infecção, facilitada pelo modo de vida extremamente sedentário, cada vez mais evidente na sociedade.   


domingo, 18 de janeiro de 2015

                   FRIO E DESEMPREGO

    Isto são dióspiros. 
   Os dióspiros são um fruto do Inverno com mau aspecto (como o Inverno). 
   I´m wild, e como dióspiros à brava. Aliás, sou flipado em dióspiros. São o Sol do Inverno e têm um sabor espectacular (embora não pareça). 
   Estes roubei-os dum quintal qualquer, já meio comidos pelos pássaros.


   E isto é um pé de couve "todas as estações". É difícil ver o semelhante, mesmo na travessa da caldeirada dum Português. 
   É extraordinário o poder do Sol, ao transformar este vegetal numa autêntica paleta de cores.


   Esta é a luz do princípio do Inverno no Norte de Portugal no pinhal. O lado escondido (ao lado, e por todo o lado) está cheio de lixo. 
   Não percebo como há gente tão suja e inconsciente dos seus actos. É vergonhoso, e custa-me assumir qualquer tipo de parentesco com estes badalhocos. 
   Estavam bem era a limpar retretes em Paris.


   Esta imagem reflecte um equilíbrio de cores impressionante. E o Sol de Inverno, fresco e limpo de UV, é o pano de fundo ideal para o céu imaculado. Até as palmeiras estão vivas, quando por todo o lado as velhas estão a morrer (a maior parte já morreu, comidas pelo verme dum escaravelho especialista). 
   Para dizer a verdade, até a minha vida social está a morrer. Cada vez tenho menos trabalho, e passo dias seguidos na cama: fujo ao consumismo fácil e inevitável de estar activo (sem o estar). Aproveito e fujo também ao frio anormal que tem feito, matando dois coelhos duma cajada só. Contudo ouço tudo à minha volta (mesmo na cama). 
   Agora vou à vida, porque amanhã às duas da tarde tenho à porta um técnico da NOS para mudar o equipamento multimédia para HD. Pelo preço vitalício de 37,99 euros por mês. Pelo menos é o que eles dizem (vitalício durante doze meses, depois caem-me em cima com o preço do pacote todo) só que vão dar-se mal com a carta registada que vão receber lá em casa. Ah-ah-ah... 



segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

INVERNO 2014
       

Esta é a Lua de Dezembro, fria como gelo, apesar de ninguém se poder queixar muito disso: do frio. No entanto, pessoalmente, acho que ele ainda não chegou em força. De qualquer maneira ainda estamos, tecnicamente, no Outono. O Inverno só começa a vinte e um, ou dois, e estamos a oito. O que o clima tem de pior para mim é não me deixar beber a cerveja fresca, o que me causa uma certa azia na boca, me incha o fígado, levanta a pele da ponta dos dedos e seca os lábios (e a pele em geral). Mau, mau que chegue, no entanto não a deixo descansada. Pobre moi, desleixado e burro, que não consegue controlar os seus vícios de merda.

 
Como foi vastamente comentado, este ano choveu a potes e durante muito tempo, e a prova está aqui. Desde a minha infância que não via tanto musgo fresco, gordo e luminoso como este ano. Até faz pinturas abstractas por todo o lado: no chão, nas paredes, nos barrancos, e à luz directa do Sol, coisa que o musgo não gosta muito.
Gosto muito de musgo, o melhor filtro de água do planeta, e um belo tapete, quando fica dourado. Tive a sorte me me sentar num, no meu sítio de poder (debaixo d´água) no Rio Zêzere. Fofo e confortável. 



Esta imagem quente é de cogumelos frescos. Abomino a minha ignorância nesse capítulo, porque acho que perdi uma fêzada este ano, sobretudo neste fim-de-semana. Acho que estes são bons para comer, mas não sei (nem dá para arriscar) e em caso de dúvida é melhor esquecer. Nunca vi tantos juntos, numa pequena área que habitualmente nunca teve nada. Conheço muito bem o sítio, porque passeio por lá regularmente. Na verdade foi o instinto que me convenceu a andar para trás, à procura de azevinho, e lá estavam eles por todo o lado, de várias espécies, feitios e estados de conservação. Também adoro cogumelos, sobretudo num guisado. Os melhores que comi na vida foi numa quinta isolada em Conhaque (ou em St. Seurin du Cadourne) durante umas vindimas. 


Esta é uma amostra da riqueza da nossa terra, colorida e brilhante, como deve ser o Natal que se aproxima e do qual vou tratar já de seguida. À tarde fui cortar duas carochas de pinheiro, e entreti-me a apanhar um pouco de sol no "alto do Picão" enquanto cortava umas austrálias para fazer estacas e prestava serviço público. Para quem não sabe, as austrálias são uma espécie de praga vegetal, ocupando rapidamente qualquer tipo de terreno disponível em quantidades industriais. A ponta do pinheiro já está instalado num vaso, aqui mesmo ao meu lado, e vou de seguida decorá-la com as fitinhas, luzinhas, bolinhas, pais natais e sei lá que mais.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

CINEMA


A imagem em movimento é como uma droga, sobretudo se for muito colorida. 
   Tal como os canídeos, reagimos ao movimento, e a curiosidade é uma das chaves de sucesso do Ser Humano (e do macaco). Eu bem queria ver se fugia a isso, mas sou tão macaco como um Orangotango. Só não sou ruivo. 
   A fotografia e o cinema são vícios da minha família, sobretudo do meu pai. Quando era bebé e depois criança, muitos eram os sábados à noite (e outras noites) em que ficávamos ao cuidado da minha avô para eles irem ao cinema tranquilos. Quando nasci dormia na sala, e via televisão só com um olho deitado na cama. Também só havia um canal a preto e branco e fechava às dez da noite. Fui um felizardo.
55 anos depois sou outra coisa. "Agora" sou o alquimistacibernetico@gmail.com, o que quer dizer que estou na idade dos computadores, onde tudo é possível, e o mundo está todo lá dentro (na minha perspectiva - 12%), longe de o ser, mas a caminho. 
   Na prática, este tipo de tecnologia é o que mais se vende actualmente. No entanto há coisas de acesso grátis; informação global dos amigos (e dos amigos dos amigos), e das sete artes em geral (com sorte e habilidade) - música, cinema, TV, documentários... 


O curso demora quatro anos a tirar, mas só tive acesso a uma bolsa de metade; o resto está inacessível ainda. De qualquer maneira já é muito filme: perto de quinhentos DVD´s com quatro cada. Eventualmente mais tarde pesco a outra metade - para curtir, e passar o tempo frio a ver o planeta onde nasci; quem cá vive e viveu, e o rumo que isto leva para o futuro. 
   Acabei de ver X,Y,Z com Elizabeth Taylor e Michael Caine, com muito má qualidade de imagem e sem legendas, antes de ligar a aparelhagem e me pôr a cantar Espinho - A cidade mais peripatética do Universo, até empancar (psicologicamente). Ainda não foi desta (pudera): com quatro páginas de texto não vai à trac. A este ritmo tenho filmes para dez anos, mas na verdade o verdadeiro frio ainda não veio; curiosamente demora a vir, para ser mais concreto. Este ano está quente, demasiado para as nossas necessidades. Daqui a dois dias começa Dezembro, e o aquecedor continua na garagem.

 
Quando surgiram os clubes de vídeo eu ainda não estava suficientemente desperto para o que viria a seguir, e foi, abrir um a cem metros de minha casa - do Eric, um Holandês casado com uma Portuguesa. Ao mesmo tempo o meu cunhado conheceu um vizinho maluco no prédio novo para onde se mudou e surgiu o Gaspar, um segurança-nocturno numa fábrica, perito em pintura da Ponte de D. Luis e computadores (programação, programas, sistemas...). O Gaspar instalou o descodificador e o Eric alugou os filmes, até fechar a loja. Até um ou dois filmes Holandeses clássicos sem legendas ele me emprestou, fora o resto. Gajo porreiro. A mulher é que era uma bruxa.
Quando o Clube Hollywood fechou (do Eric) passei para o de Lamas, e claro, rapei os filmes que me interessavam até fechar. Até originais comprei a dois euros, mas fiquei triste. Pensava que estava lixado e não tinha acesso a mais nada, quando descobri em Espinho outra loja quando num dia  fui comprar uma lâmpada e a vi. Como ficava longe de casa a logística foi apertada, mas com tempo e dinheiro saquei tudo o ela tinha a meu gosto, até fechar. O dono tinha dito que tinha outra loja em Esmoriz: fui a Esmoriz atrás dela, mas quando lá cheguei já era... Fui também ao clube do S.Pedro, em frente à linha da CP de Espinho, mas os donos eram tão caretas e esquisitos, que só de olhar para a cara deles me dava náuseas; fora o facto de tentarem fazer de mim parvo - campónio (ou qualquer coisa do género). Que parôlos estúpidos. Não tiveram direito a nada.
As bibliotecas são a salvação seguinte.
   Já não me lembro bem se alguém me disse, ou eu fui visitar a biblioteca atrás de enciclopédias sobre flores (para as catalogar). O que é certo é que vi prateleiras cheias de filmes e passei-me. Cinema e concertos de musica. Ihi....God-zut. Maravilha.      Inscrevi-me imediatamente e inscrevi a mulher, para poder levar o dobro de livros e filmes, e vai agora. O Clint Eastwood que o diga. Isto em Santa Maria da Feira. A loja que fornece material para o meu trabalho fica a cem metros de distância da biblioteca. Conveniente, não? 
Mas tudo se acaba (também não durou muitos meses), até ser substituída pela de Espinho, durante outros tantos, e shau.
Em princípio, quando se olha para uma prateleira recheada como esta, parece que temos filmes para toda a vida, mas isso é treta. Há ali filmes que já vi três e quatro vezes, mas como tenho uma memória fotográfica hiper-activa, basta-me ver uma vez com atenção para nunca mais esquecer. Claro que tal benefício não é tão favorável como parece: tenho de andar continuamente atrás de novidades, para me entreter e levar a vida. 
Uma coisa leva à outra, e com a ajuda do Gaspar saltei para a Internet, para o mundo da informação e do conhecimento (mais ou menos) disponível, e com a ajuda dos meus apontamentos arquivados de consultas antigas à história do cinema, à espera de poderem germinar (como uma semente - do conhecimento) passei à acção através do Pirate bay (e se acreditasse em Deus diria - graças a Deus, pela Baía dos Piratas), o servidor mais louco do planeta. God bless the Pirate bay.
E aqui estou, sempre insatisfeito (como um macaco) à espera da nova novidade, numa odisseia sem fim.







segunda-feira, 17 de novembro de 2014

                                    VEM AÍ O FRIO

   Parece que estou finalmente a acabar de descarregar filmes clássicos através da internet para consumo caseiro. Dezenas ou centenas de horas de pesquisa, recolha de dados em várias línguas e abordagem ao sistema depois, durante anos, está na altura de sentar o traseiro e curtir a 7ª. arte. 
   Neste momento está a acabar o filme dos "The Who" - the kids are alright - e by Job. Hoje em dia as pessoas são feitas de merda, sem músculo nem genica, criatividade e loucura. 
   Comparo a gente moderna a bacalhaus - secos ou mais graúdos, demolhados ou insípidos - tesos. Nostalgia do Natal que se aproxima?
   10 pacotes de cinquenta, a multiplicar por uma média de 4, dá 2000. Eventualmente será essa quantia que estou pronto a usufruir na intimidade do lar durante o Inverno. Terror, ficção, farwest, comédia, musica, história, costumes... Quantos... Sem grande custo. Claro que nem tudo é um mar de rosas. Traduções, qualidade e calibre da imagem no monitor, o assédio permanente de gajas a tirar a roupa no canto direito do écran (um incómodo estúpido que não consegues apagar) e a seca habitual com a rede, às vezes rápida, e outras... (apetecia-me dizer uma asneira). Dou muito valor ao tempo, e o computador é um ladrão desse valor.
   Sei por natureza que o cinema não é para toda a gente. Como a literatura. A maior parte das pessoas quando começa a ler um livro, ou a ver um filme, passados vinte minutos está a bocejar, a cabecear, e acabam por adormecer (mesmo que não queiram). 
O cérebro e o corpo delas, quando atinge certos valores de fadiga ou desgaste físico, vai abaixo, apaga-se automaticamente. 
   Filmes que me passaram pelos olhos: As nove vidas do gato Fritz, Tarzoon - a vergonha da selva, alguns filmes com a Marlene Dietrich, as divas Italianas e... É ingrato abordar com justiça semelhante monólito de som e imagem como a odisseia do cinema. O mundo, nesse capítulo, é grande, e vai da China ao Hawai. Adoro sobretudo os clássicos Asiáticos Indianos, Japoneses, Coreanos e Chineses, sobretudo. Mas há muito mais. Os filmes de desenhos animados, Moebius e outros, e a ficção da Marvel de Stan Lee, com a tropa de heróis improváveis todos poderosos - Hulk, Homem-aranha, Ex-men... E mais cinquenta, entre heróis e vilões. 
   Partindo do princípio que cada filme demora à volta de hora e meia a ser visto, bem... 2000 filmes, 2 500 horas de visualização no cadeirão. Isso em dias dá quê! 100 dias não stop? Nada do outro mundo. É preciso é que as costas aguentem.
   Mas a vida não é só feita de filmes. Também o é de programas, e o meu canal de referência hoje em dia é o NHK, Japonês. É o que está a dar com qualidade, bem gosto, novidade e exotismo. Infelizmente tenho que dizer que os canais temáticos mais carismáticos, como o Odisseia, a National Geografique, blá-blá, não valem nada nos dias que correm. Demasiada violência (mil maneiras morrer) e outras incongruências com actores demasiado visíveis para as cenas que estão a gravar, e para os quais não tenho pachorra nem paciência. 
   Isso talvez por ter prateleiras repletas de DVD´s com esse tipo de programas, gravados há anos, quando tinham qualidade, em vídeo, e depois regravados para digital. Podia (e devia) deitar o cabo abaixo durante pelo menos dois ou três anos para curtir os meus arquivos, muito mais interessantes do que o que está a passar agora.
Agora falemos doutra coisa: de musica, para não variar. Não da musica dos outros, da minha. 
   A musica que está a dar na rádio neste momento não vale um caralho: Batida, Noiseheart, e outras bandas esquisitas ou pimponas, de gajas com vozinhas mimalhas (muito na moda - os filhos mandam nos pais) Brasileiras e Angolanas. Depois de séculos de colonização, chegou a hora de ser colonizado pelos pretos e indígenas da Amazónia. Colonizado e comprado. 
   Os pretos de Angola e os Chineses estão a comprar tudo, com dinheiro de origem duvidosa. E pela primeira vez na história da democracia, responsáveis envolvidos em negócios mafiosos estão a ser postos na balança da justiça (e a verdade seja dita) já não era sem tempo. 
   O tempo tem estado irreconhecível, sempre a mudar, com variações violentas de temperatura e aspecto no céu, com formatos de nuvens que nunca vi por cá. O mar também está a subir, e só é travado à pedrada, com milhões de toneladas de rocha na praia. Mesmo assim, agora que o Inverno está a bater à porta, os vareiros de Paramos que falem sobre as noites de terror por que passam, quando vêm as marés vivas acompanhadas por tempestades diluvianas, roncando de forma tão vigorosa que ouço o som aqui em minha casa, a mais de cinco quilómetros de distância: até escrevi e compus uma musica sobre isso - "Raios e coriscos" - é como se chama. Embora preferisse chamar-lhe "Ragnarock", expressão da ferocidade do gigante Adamastor mal-humorado na junção de dois oceanos. 
   A praia, como a conhecíamos, vai desaparecer do mapa a breve trecho. Mais de metade já foi à vida, e é ver os foliões a monte, quase uns em cima dos outros, por falta de espaço, imagem que me faz lembrar uma pequena colónia de leões marinhos em cima duma rocha a apanhar sol, assediados por outros que também querem subir mas são facilmente repelidos. No caso dos humanos, é a colocação das toalhas demasiado juntas, de tal maneira que uma pessoa quer deslocar-se e não pode (a menos que lhes passe por cima) bloqueando o acesso à saída, numa falta de educação evidente e tipicamente Portuguesa - a comentada falta de civismo.Além de ter sido o ano da virologia pura, também o foi no Sol e no Mar. No caso de Sol receio que o buraco de Ozono esteja escancarado, pelo aspecto do céu e das nuvens, e os políticos andam caladinhos nesse assunto. O mar, além de estar a ser o novo servidor de serviço do vento, que mudou de direcção de Norte para Noroeste e traz muito mais humidade que o habitual, provocando uma pluviosidade anormal e de gota grossa.
É possível, na minha modesta opinião, que a Terra possa ter oscilado pelo acréscimo de instabilidade na superfície, isto é, com o aquecimento global e o respectivo degelo acelerado das calotas polares e dos Polos, o mar subiu e continua a subir, havendo assim uma muito maior quantidade de peso líquido a balançar e a fazer pressão na crosta, e toda essa água doce é também muito mais facilmente evaporada pelo Sol, proporcionando o acréscimo de chuva e tempestades a que temos assistido nos últimos tempos. Mas o mais preocupante não é tão evidente, e poucos o vêm. 
   Nas férias deste Verão reparei num pormenor preocupante (aliás, foi a minha mulher que me chamou a atenção para o facto) e é o seguinte: vi ondas a andarem de lado, isto é, em vez de virem na direcção da costa corriam paralelamente a ela. É sabido que o excesso de água doce no mar emperra a engrenagem que faz mover as correntes marinhas, e isso altera drasticamente o clima (o que já está a acontecer). 
   Não sou nenhum profeta da desgraça; estou apenas a assinalar e a apontar factos que a todos dizem respeito (ou deviam de dizer) embora a maior parte das pessoas esteja mais preocupada em ter uma vida boa e o resto que se lixe. Quem cá ficar que se amanhe como puder: sempre foi assim no mundo dos seres de carbono. Queimam muito e de forma indiscriminada, sem prestar a devida atenção ao futuro.
   Às vezes penso se valerá a pena preocupar-me com o mundo onde vivo (o planeta Terra), porque no caso da minha e do país onde moro e trabalho não vale. Não vou dizer porquê (os factos estão à frente do nariz de toda a gente, embora se esforcem por fazer de conta que isso não é verdade, ou se é, é passageiro). 
   Tenho medo do futuro (da acção humana). O homem, em tudo o que toca, destrói. Parece uma criança mimalha e inocente, que faz o que lhe passa pela ideia, irreflectidamente, exageradamente, estupidamente. E tenho ainda mais medo da natureza.
   Em Agosto, o Guimarães deu-se ao trabalho de aparecer cá em casa, depois de o convidar a colaborar comigo na minha musica. Trouxe a guitarra e improvisou como pôde no que lhe era apresentado (contendo algum espaço) para ele poder tocar qualquer coisinha. Malhou no baixo no "Malhão na Serra do Marão", tocou duas pistas de guitarra eléctrica (e dele e a minha) no "Trabalhador independente", mais dois pequenos trechos de solo ao piano, com autorização para o partir, mais uma pista no "Rajastão na Mira". Deve ter gostado da visita e repetiu (com a namorada), o que me deixou muito feliz, ficando combinado que nas minhas próximas composições deixasse espaço para ele tocar, porque vem novamente a casa dos pais no Natal, e estava numa de aparecer para continuarmos a curte. Trouxe também um piano de sopro para me testar a resistência. Apanhou-me de surpresa, mas vai agora. Montei-a, tocamos durante cinco minutos e parei. Ele ficou escandalizado por ter sido tão pouco tempo, mas tocar flauta não é tocar viola. E sou demasiado objectivo para perder muito tempo com trivialidades, brincadeira que está no youtube para quem quiser ver.
   Apanhei o vírus da gripe e estou um tanto ou quanto entupido. Cantei muito durante toda a semana passada em - "Espinho - A cidade mais peripatética do Universo", a pensar no Guimarães, em dois ritmos e bateria diferentes, três pistas, texto complicado (ao princípio) e enviei duas versões ao Guimarães através do facebook. Ainda não respondeu, deve ter andado muito ocupado no fim-de-semana. No princípio do mês enviei-lhe a "roda viva", musica estranhamente religiosa e cheia de efeitos especiais para ele ir digerindo.É o que tenho programado para o tempo que ele poderá dispor para isso (na minha ideia, claro). 
   Apareceu também o filho do Sr.Barros, vidraceiro, interessado nuns discos. É capaz é de não estar interessado no preço, uma vez que ainda não disse nada. A mim também não interessa.
   Se esta galiqueira se libertar da bronquite que me está a querer assolar, estava interessado em começar mais duas musicas - "My blues" em Inglês, e a outra é sobre o meu trabalho na sapataria, ambas a falarem do meu modo de vida. A ideia é ir para a sapataria com o equipamento e gravar o ambiente: martelada, atendimento ao público, som do rádio omnipresente e máquinas (fraise e escovadeira) como material de abertura, e fundo (tapetes mecânicos? - why not). A musica depois se verá, mas bateria a sério vai levar (no estúdio B) e quero que tenha características de hard rock. Neste momento devia de as ter de musica para praticar yoga. Na prática, só há uma semana é que estou a trabalhar em pleno, depois de quase duas de Verão e meses de chuva quase diária, e intensa. Um desastre para a minha actividade, e o calçado Chinês. Agora o forte são sapatilhas, formato desagradável de trabalhar devido à característica dos componentes; tecido, têxteis e napa.
   Como a história já vai longa, fico por aqui. Vou só ver se vejo uma imagem fixe para fechar a porta, e dizer "até breve".
   

   
  


 
    
        

segunda-feira, 27 de outubro de 2014

Outono

                                 Outono

Esta imagem magnífica não reflecte o clima que temos tido. Está tudo a mudar. O planeta está rabugento, e estrebucha por tudo e por nada. Temos tido, num único dia, as estações do ano a desfilar na passerelle do Tempo. Mas quem liga a isso? 
As pessoas vivem em sofisticadas cavernas modernas e movem-se em veículos insonorizados, não se expõem ao tempo. O tempo é para os sem-abrigo, os ambientalistas e os amantes da natureza.
Neste ano do vírus, nunca vi uma diversidade tão grande de novos insectos na área, isto sem falar nos residentes - moscas variadas, pulgas, carrapatos, baratas, bichos-de-conta... E o eterno rato voltou a dar problemas.
Tenho feito umas musiquetas nos últimos tempos, o pior é editar. Estou a ficar com os olhos cada vez mais fracos, e fazer pontaria às pistas é cansativo. Ainda por cima não tenho um auxiliar, o que torna a tarefa bastante cansativa: se não é o gosto e a vontade de fazer alguma coisa interessante, quase que o melhor era dedicar-me "ao surf?". Hum... 
Tenho andado a reeditar algumas das minha músicas: onde retoquei "Momiji", um extracto em Japonês. Espetei-lhe com mais uma série de sinos e percussões Asiáticas - da Índia à Indonésia.
Despejei para dvd´s hoje mais de vinte filmes, em vários formatos (MKV - MP4 - AVI), mais uma dúzia de documentários Japoneses (o NHK é o meu canal preferido neste momento, directamente de Tóquio), vi "O guerreiro e a feiticeira - com David Carredine, e à tarde fui para o pinhal do castelo da Feira apanhar
medronhos e curtir a natureza em estado bruto. Cogumelos nem vê-los, com o calor dos últimos dias. Mesmo assim disparei à direita e à esquerda, sobretudo em fungos tipo meio circulo. Já que estou a falar nisto, até gostaria de ver um bem tracejado.
Fui buscar a imagem sem editar. O dia esteve bastante encoberto e a luz estava fraca, mesmo assim vê-se perfeitamente o que eu queria dizer.
O medronho que apanhamos (grande parte do chão) era de fraca qualidade. Mesmo assim cheguei a casa e puz-me a trabalhar nele. Acabou em papa. 
A sobremesa do jantar foi: uma colher de medronho, meia colher de compota de maçã, um dióspiro médio e um cheirinho de bagaço com mel, tudo muito bem mexido, well... Uma compota parecida com a água do Rio Congo. Cheia de nutrientes. E o sabor? 
À coisas difíceis de definir. E uma delas é esta. Nunca provei nada igual, e duvido que muita gente gostasse disto. Também certo é que apanhei mais dum quilo e tenho um grande frasco cheio até à borda no frigorífico, para não fermentar. O medronho é famoso pelo seu grande poder de fermentação rápida. 
Fui à inspecção com a carroça e passou: a carroça é Toyota Corolla com quarenta anos de existência e algumas cicatrizes, e rola normal. Há quem lhe chame clássico, eu chamo-lhe sucata com rodas. Para mim todos os carros são um incómodo. Eu compreendo o Sr. Honda, quando disse que o maior desejo dele era proporcionar um carro a cada ser humano. Mas acho que o Sr. Honda não estava a ver bem até que ponto a humanidade cresce e aumenta a cada dia que passa. Na verdade começa a haver gente a mais neste Mundo, e eventualmente o vírus que surgiu neste Verão em África - o Ébola - seja uma espécie de retaliação à raça humana. 
Too much people. And the animals?
O trabalho tem sido muito pouco. Enquanto choveu qualquer coisa, há quinze dias, estive razoavelmente ocupado. Depois veio esta vaga de calor e shau. Aproveitei e tratei de restaurar o letreiro, proteger o quintal com chapas de zinco guardadas, e sobretudo inspeccionar as paredes, porque estavam a entrar ratos em casa. Acabei por detectar o problema, ocasionado pela substituição total do telhado. 
No canto sudoeste, o serralheiro deixou uma abertura significativa entre o telhado e a parede, suficiente para passarem ratazanas, e apesar de haver toda uma tropa de gatos na área e da parede interior ter sido forrada a rede fina e espuma de polioretano (trabalho feito por mim) um entrou. Isto faz-me fazer uma analogia com o estado politico e social do nosso país: a entrada e saída de ratos no poder estatal.
Não ligo às notícias, aos políticos, ao futebol ou à casa dos segredos (big brother-little brother). Não ligo às mulheres porque tenho uma que me satisfaz. Não ligo ao dinheiro, que só traz desgostos e degradação. 
Sex, drugs and rock´n´roll podia continuar a ser a imagem de marca, mas a caminho dos sessenta anos isso será normal? ihi-ihih... A mim parece.
A vida é bela (Bellini) e está na nossa mão acreditar que algo melhor estará para vir. O curioso é que ao longo da minha (como curioso) nunca vi nada acontecer. Para dizer a verdade, hoje em dia está pior do que quando nasci. Muito pior.
Oh Adamastor! Não ia um snackezinho? 
Um Coelhinho/Seguro/PortaPaulista/Cavaquista/com palito no fim? Aposto que ia...


sexta-feira, 3 de outubro de 2014

                                                  FEIRA DE ESPINHO II

Isto é cabaça Tailandesa, com propriedades medicinais. Também serve para fazer percussões. A casca é dura, eu que o diga. Tem a cor das vestes dos monges Budistas. 
Já não cozinhava à anos, muitos anos, e aproveitei esta deixa e a falta de trabalho para fazer o jantar. 
O resultado foi uma caldeirada de sabores e texturas na boca que nunca senti, e o bacalhau com soja e outros truques perdeu o sabor (da maneira como o conhecemos). Vou comprar (e plantar) esta cabaça. A mulher já tratou de guardar sementes para a Primavera.



Já tinha saudades de vir à feira. Deixo a abordagem ficar sempre para o fim (por volta das cinco da tarde) quando começam a pensar em carregar as carrinhas. 
É a melhor altura para regatear. e conseguir o melhor preço possível. 



O que mais fascina neste ambiente são as cores e os cheiros. A subtileza da vida, a vitamina...



Neste Outono meio fim de Verão, surgem finalmente as vitaminas que interessam. Tardiamente, mas "voilá". Sobretudo alguns tipos de ameixa, maçã (claro), uva, pêra, pêssego, figo, romã, castanha, maracujá...


Este dá a impressão de não ter vendido grande coisa. As bancas estão cheias, e os ananases atrás dele dão a sensação de serem bombas da segunda guerra Mundial prestes a caírem e explodirem, depois dele acabar de lascar as narinas e fazer faísca.



A luz do nosso mundo latino-luso-atlântico é boa. E temos muita. É pena é não ser mais aproveitada pela sociedade em geral. Há como que um convénio de interesses que não deixam o mundo girar da melhor maneira. Os interesses camuflados dos ricos, e a interdependência que criam com as suas manigâncias de poder e controlo, que todos afectam e passam despercebidas, como se fosse ocorrências casuais imprevisíveis e inconsequentes. 
Vai um melão?