segunda-feira, 16 de março de 2015

                  A seis dias da PRIMAVERA

 
  Já se nota o vento da mudança, infelizmente ao contrário: está a vir de Norte, e isso não traz calor. Mas pelos vistos, para a natureza, isso é subjectivo. Duma forma ou de outra esta acaba sempre por encontrar alternativas.                                                                         


   Há flores e flores. Mas todas são milagres da cor e da forma, do clima e da acção dos seres vivos.


   As coisas mais simples são as mais bonitas, e este postal é prova disso. A delicadeza da cor, a simplicidade da forma, o envolvimento...


   Esta magnólia é difícil de ver com frequência por aí, motivo pelo qual aqui a mostro.


   Chamo a esta planta "orelhas de elefante", e todo o processo da sua vida é admirável pelas diversas fases por que passa. Só visto.


   A beleza é inexprimível em palavras. Para a maior parte das pessoas isto não lhes diz nada: para mim são os deuses a falar.


   Esta é a flor do pessegueiro.


   E esta é a flor da macieira. Até se come com os olhos. Venha a Primavera (e o Verão). Toda a gente está cansada deste Inverno frio prolongado.

domingo, 8 de março de 2015

 WHERE COMES DE SUN


   Esta mancha amarela é um dos grandes símbolos da chegada do bom tempo à nossa terra: São "mimosas" em profusão, mais do que nunca, uma acácia que se deu bem com o clima.
   Quando era criança este tipo de árvore abundava por todo o lado (Portugal era uma mancha verde) e nesta altura ficava assim, com enormes hectares de território de várias cores. E quando se passeava debaixo das árvores com a floração a acabar, a chuva de fragmentos intensamente perfumados enjoava.

  
   Adoro esta planta, apesar de ser acácia. As acácias não dão mais do que isto. Uma breve colheita generosa de flores ricas em pólen. Mas a prima não é melhor.


   Isto é a Austrália, a planta de mais rápido desenvolvimento na nossa terra. Nasce e cresce compactada como sardinhas numa lata, e dão-se todas bem. Pelo menos até começar a competição a sério. E não demora mais de três anos para ter sete metros.
   Cheirosa, aos cachos, boa como vedações corta-vento, para fazer estacas e regalar os olhos.
   Verde e amarelo, à Brasileira.


   As árvores de fruto nativas acordam e espalham o seu perfume. Não o notamos, mas os insectos regalam-se: sobretudo as abelhas. É pena é haver cada vez menos, e as que existem, a maior parte está ao abandono. Nem se dão ao trabalho de apanhar a fruta no Outono.
   Cada botão é uma jóia. 


   Desta vez acho que apanhei a macieira em cheio, repleta de flores e com boa luz. Este ano está bom para a agricultura. Choveu muito, agora está a vir um Sol mais ou menos limpo de UV, e a natureza está a responder bem. Isso é bom (para quem vive ligado à terra). Para os citadinos é mais um ano a passar.
   Fora a vantagem evidente para a saúde, passear pela natureza é um privilégio - já quase não a há por estes lados - e sempre que posso vou para o meio dela.


   Podia passar a noite no paleio, mas prefiro desejar-vos uma noite de sonhos cor-de rosa.   

sábado, 28 de fevereiro de 2015

OS DIAS CRESCEM?


   Aqui a Lua parece estar com falta d´ar. Se repararem, a meio, parece estar de boca aberta, a arfar.
   Os dias estão a crescer com a aproximação do Sol neste hemisfério, a terra agradece (e eu - farto de frio) e Inverno, queria partir para outra (com blues). My blues. 


   Este macaquito bem poderia ser eu ou tu no galho duma árvore (última pintura da Mira, ainda a ser trabalhada), abrigado da intempérie nos braços duma Medusa vegetal imponente e majestosa.  


   Adoro estas castanholas de fava. Posso dizer com propriedade que o Inverno tem sido razoavelmente benevolente, e a prova está na qualidade deste vegetais. A sociedade está muito pior, e a recessão parece não ter fim (o que se torna chato). Ainda por cima os pulhas começam a perder o respeito e toda a gente rouba toda a gente. Como é que dizem os Americanos? - Dog eat dog. É isso. 
   Fui tomar café, e com os clientes do costume na área, à saída, o meu guarda-chuva tinha desaparecido. Triste de constatar.  


   Estas flores são o farol da Primavera para mim. São flores de ameixoeira-roxa selvagem, e despontam quase um mês antes de qualquer outra similar. Está a crescer e todos os anos a fotografo. Este ano faço-o com o céu da cor dela.
   O sol aquece a terra e o vento sopra do Norte de África em rajadas esporádicas. A madeira das paredes da casa range de vez em quando, como o casco duma caravela, sinónimo de que o tempo está a virar.
   Estou com saudades de passear ao ar livre numa boa. 


   Hoje à tarde estas cores vivas chamaram-me à atenção no quintal (e claro) sai máquina fotográfica. O resultado foi muito feliz, e... excusez-moi. 
   Estou a ser grosseiro ao não vos apresentar a flor da ervilha. La voilá. 
   No meu imaginário parece uma camponesa Japonesa de kimono à chuva.


   Portugal, um país bestial, com um clima espectacular e um povo que se compra por dez tostões, ao mesmo tempo que é roubado e explorado pelos ricos de forma quase descarada, e no fim fazem de conta que não viram nada, ou não se lembram, e vão votar novamente no mesmo que os enrabou anteriormente. É doentio, sádico e completamente estúpido. 
   As naus do futuro deviam ser construídas (de derivados de cortiça) e lançar os saloios todos para o Espaço numa viagem sem retorno.

terça-feira, 17 de fevereiro de 2015

CARNAVAL 2015 NA MINHA TERRA


   Este é o nome da minha terra, o único credível (fora do alcance dos vândalos). Foi aqui que nasci, mas não tenho muito orgulho em aqui viver. Mas gosto da minha TERRA. Tudo o resto é paisagem.


   Este é o Guilherme Tell da banda (ou será Robin Hood)? Se veio com ideias de caçar alguma coisa, vai (de certeza) de mãos vazias para casa. 
   Nunca vi Carnaval mais miserável na minha vida. Nem um foguete ao ar lançaram. E só ouvi em todo o dia o rebentamento de uma bombinha de criança.


   Depois de dias de chuva, nevoeiro e frio, veio o Sol com céu azul. Impossível ficar em casa, depois de dias passados na cama (coitadas das minhas costas).
   Pelo andar da carruagem já imaginava que não ia ver nada de especial, então decidi ir de tele-objectiva. Como uma tele-objectiva é para fotografar a grandes distâncias, imaginem o filme. A distância mínima mostra o que geralmente não vimos: e dá para rir com o inesperado (a impossibilidade de fotografar tão perto).
   Aqui temos o vizinho do Pião a tentar dar a entender que morrer à fome não morre. Cria coelhos.


   Esta é a rainha do Carnaval deste ano. Simpática e generosa.


   Estes são uns habilos porreiros, "cara-podre" claro, mas cool. 
   Amostras facetadas num Universo a preto-e-branco. 
   E cheios de sede. Olhem só para a boca ressequida deste meu! Ou será algum efeito especial no lábio inferior!


   O melhor é fazer como este gato branco. Fechar os olhos a tanta vacuidade. Mas acreditar sempre que amanhã vai ser melhor que hoje. 


   É aqui que nos separamos até à próxima.

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2015

EXPOSIÇÃO DE GRAFISMO

EXPOSIÇÃO GRÁFICA NA BIBLIOTECA


   A curiosidade natural do homo sapiens arrasta-me para este tipo de maneira de estar na vida.



   O grafismo, como arte, tem tanto de visual como de matemático. A abordagem à forma é usar a simetria para criar padrões geométricos e (se possível) tridimensionais (como o Dali adorava fazer). 
Actualmente, com a utilização do computador, este género é bastante acessível a qualquer curioso que queira brincar aos artistas.


Este é outro exemplo, mais colorido, proto-humano. É como olhar através da retina duma libelinha ou dum louva-a-deus, duma mosca ou duma aranha-saltadora, dum choco ou falcão peneireiro. Boa visão têm esses, sobretudo o falcão peneireiro (para não falar no speed do mergulho).


Está-se bem neste local (parabéns biblioteca de Santa Maria da Feira) e a roupa é para nos proteger do frio lá fora. Há muitos anos que não fazia tanto frio. É pena é não haver mais movimento neste tipo de infra-estruturas. Eu mesmo gostaria de expor aqui, mas não compensa o trabalho, com a sociedade descapitalizada ao máximo. Talvez num próximo futuro (quem sabe). Eu gostaria, e tenho muitas pinturas para mostrar. A minha mulher tem outras tantas (ou mais, do que eu) fora o resto do "circo". Literatura, poesia, música, fotografia...
Acorda Portugal, e aproveita a próxima Primavera para crescer saudável e próspero (se te deres ao trabalho de vergar a espinha).

segunda-feira, 26 de janeiro de 2015

A FORÇA DAS MARÉS


   No Verão estava assim, e agora está ao contrário.




   Quem será responsável pela colossal deslocação de areia na costa? O mar ou o vento? Ambos, em unissom, sincronizados por algum secreto mecanismo marinho, que de secreto não tem nada?        São as ondas que criam o vento e as tempestades, e é óbvio que é mais do que tempo da raça humana se instalar no fundo do mar (como escreveu Jules Verne). Ai estará a salvo de muitas calamidades naturais e mais protegido das radiações da atmosfera deteriorada.

 
    Para uma substância tão fluída, a água é muito forte (e pesada).
E mete medo.


   As marés, a corrente oceânica, o grande motor regulador do clima no nosso planeta, pêrra? Dizem que sim, e é verdade. Mais água nos oceanos da Terra não é saudável. 
   Está tudo a mudar. E não é só na natureza humana. É em tudo; animal, vegetal, mineral e divino. 
   Os Deuses estão a morrer, sufocados pelo desenvolvimento social: pelos telemóveis, computadores e outros acessórios, dos quais já não há fuga possível: tudo flui para o mesmo lado, e a raça humana está a converter-se numa espécie de macaco re-transformado, que em vez de pegar na banana o dia inteiro, não pára de mexer no telemóvel.
   Toda a gente sabe que paleio a mais acaba mal. 


   A maré alta invade o rio e domina o mar. 
   O mar domina sempre. Não há pedra que chegue para o parar, nem muro suficientemente alto que ele não posso ultrapassar.
   O melhor é construir uma arca (como Noé) e navegar.  



   O céu Invernal queima, com ultravioletas violentos, mas ninguém parece ligar a isso. Nem um chapéu na cabeça, óculos, para a luz baixa do Sol, e roupa adequada para o vento gelado que aparece, e desaparece de repente, sorrateiramente. Perigoso. Há que ter em conta as alterações biológicas comprovadas em 2014: multi-resistência bacteriológica progressiva - para os padrões tradicionais, com a subsequente infecção, facilitada pelo modo de vida extremamente sedentário, cada vez mais evidente na sociedade.   


domingo, 18 de janeiro de 2015

                   FRIO E DESEMPREGO

    Isto são dióspiros. 
   Os dióspiros são um fruto do Inverno com mau aspecto (como o Inverno). 
   I´m wild, e como dióspiros à brava. Aliás, sou flipado em dióspiros. São o Sol do Inverno e têm um sabor espectacular (embora não pareça). 
   Estes roubei-os dum quintal qualquer, já meio comidos pelos pássaros.


   E isto é um pé de couve "todas as estações". É difícil ver o semelhante, mesmo na travessa da caldeirada dum Português. 
   É extraordinário o poder do Sol, ao transformar este vegetal numa autêntica paleta de cores.


   Esta é a luz do princípio do Inverno no Norte de Portugal no pinhal. O lado escondido (ao lado, e por todo o lado) está cheio de lixo. 
   Não percebo como há gente tão suja e inconsciente dos seus actos. É vergonhoso, e custa-me assumir qualquer tipo de parentesco com estes badalhocos. 
   Estavam bem era a limpar retretes em Paris.


   Esta imagem reflecte um equilíbrio de cores impressionante. E o Sol de Inverno, fresco e limpo de UV, é o pano de fundo ideal para o céu imaculado. Até as palmeiras estão vivas, quando por todo o lado as velhas estão a morrer (a maior parte já morreu, comidas pelo verme dum escaravelho especialista). 
   Para dizer a verdade, até a minha vida social está a morrer. Cada vez tenho menos trabalho, e passo dias seguidos na cama: fujo ao consumismo fácil e inevitável de estar activo (sem o estar). Aproveito e fujo também ao frio anormal que tem feito, matando dois coelhos duma cajada só. Contudo ouço tudo à minha volta (mesmo na cama). 
   Agora vou à vida, porque amanhã às duas da tarde tenho à porta um técnico da NOS para mudar o equipamento multimédia para HD. Pelo preço vitalício de 37,99 euros por mês. Pelo menos é o que eles dizem (vitalício durante doze meses, depois caem-me em cima com o preço do pacote todo) só que vão dar-se mal com a carta registada que vão receber lá em casa. Ah-ah-ah...